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Dez documentários brasileiros premiados para assistir no streaming

Gama seleciona dez filmes sobre política, religião e cultura feitos na última década para celebrar o Dia do Documentário Brasileiro

Mariana Pontes 07 de Agosto de 2026

Na última década, o cinema nacional contou com diversas produções que nos revelam mais sobre o país em que vivemos. Nas áreas de política, religião, cultura e outras, muitos dos documentários que compartilham reflexões e olhares críticos sobre diferentes realidades foram premiados e estão disponíveis em streamings.

A Gama selecionou dez deles para celebrar o Dia Nacional do Documentário Brasileiro (7/8), data que homenageia o cineasta Olney São Paulo (1936–1978). Nascido na Bahia, foi pioneiro e grande defensor do documentário nacional, perseguido na ditadura militar. Dirigiu “Grito da Terra” (1964) e “Manhã Cinzenta” (1969), além de integrar o Ciclo Baiano de Cinema, movimento de efervescência da produção audiovisual.

  • “Cinema Novo” (2016), de Eryk Rocha

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    Premiado no Festival de CannesUm ensaio poético e íntimo sobre o movimento da década de 1960 que marcou a entrada do Brasil no cinema mundial. Composto por entrevistas e fragmentos de filmes de nomes como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra e Cacá Diegues, o filme narra o fenômeno que fez o cinema romper com seu viés comercial e se aproximar de temas políticos e sociais. Disponível no Prime Video – Doc Canal Brasil.

  • “O Processo” (2018), de Maria Augusta Ramos

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    Premiado no Festival de Berlim Sob acusações de crimes de responsabilidade fiscal, a ex-presidenta Dilma Rousseff sofreu impeachment em agosto de 2016. Os bastidores políticos e jurídicos dos 273 dias, assim como os momentos mais emblemáticos, são apresentados no longa-metragem. O filme é montado a partir da observação sem intervenções diretas e tem ênfase na defesa, pois foi quem permitiu o acesso da diretora às reuniões e discussões. Disponível no Prime Video – Doc Canal Brasil.

  • “Ex-Pajé” (2018), de Luiz Bolognesi

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    Premiado no Festival de Berlim, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e no Festival É Tudo VerdadeBolognesi se deparou com Perpera, o “ex-pajé” do povo Paiter Suruí, vestido de terno e atuando como zelador de uma igreja evangélica. A aldeia, localizada na Rondônia, havia permanecido isolada até 1969, ano em que teve o primeiro contato com o homem branco. Aos 20 anos, o protagonista, poderoso pajé da aldeia na época, sofreu acusações de ter uma religião demoníaca e foi coagido a renunciar à sua fé ancestral e a seu cargo. Equilibrando-se na linha tênue entre documentário e ficção, o longa explora a ameaça que o processo de evangelização do pastor sofre quando a morte se aproxima da comunidade e a relação do personagem com as entidades da floresta. Disponível no Planet.doc.

  • “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou” (2019), de Bárbara Paz

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    Premiado no Festival de Veneza“Já vivi minha morte e agora só falta fazer um filme sobre isso.” Héctor Babenco disse isso à sua esposa, diretora do documentário, ao encarar o pouco tempo de vida que lhe restava. O longa, primeiro trabalho de Paz, relembra os momentos finais do cineasta, aclamado por sucessos como “Pixote — A lei do mais fraco” (1980), “Brincando nos Campos do Senhor” (1991) e “Carandiru” (2003). Com relatos de memórias e reflexões, aborda o estado de saúde fragilizado e a paixão pela sétima arte como motor da vida do argentino. Disponível no Globoplay.

  • “A Última Floresta” (2021), de Luiz Bolognesi

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    Premiado no Festival de BerlimO documentário faz uma investigação sobre as ameaças que o garimpo ilegal traz para os territórios indígenas, entre doenças, morte e desmatamento. Os jovens ficam encantados com os bens que os brancos trazem, mas, em contraste, Kopenawa se esforça para manter os espíritos da floresta vivos. Com cenas documentais e encenadas sobre suas tradições, o filme apresenta o modo de vida do povo Yanomami e a sua luta para preservá-lo em meio à devastação que enfrentam. Disponível no Planet.doc.

  • “Quando Falta o Ar” (2022), de Anna Petta e Helena Petta

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    Premiado no Festival É Tudo Verdade Um retrato humano dos protagonistas que atuaram na linha de frente no combate à pandemia de covid-19: os profissionais do SUS. As irmãs cineastas buscavam registrar a atuação das mulheres no cuidado da saúde durante um dos períodos sanitários mais críticos da história. Nesse processo, captaram o encontro da situação com a religiosidade, a desigualdade social e o racismo enraizados no país. A luta coletiva realizada em defesa da vida foi contada por entrevistas com médicos, enfermeiros e agentes comunitários. Disponível no Planet.doc.

  • “Retratos Fantasmas” (2023), de Kleber Mendonça Filho

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    Premiado no Festival de Gramado e na Mostra Internacional de Cinema de São PauloCom base em imagens de arquivo e memórias pessoais do diretor, o filme conta a história do centro de Recife a partir de suas salas de cinema no século 20. Na relação entre o passado e o presente, o filme trata desses lugares como ambientes de convívio inseridos na rotina da população e como observadores críticos do rápido desenvolvimento urbano. O diretor percorre os grandes cinemas da cidade e outros espaços vitais da imaginação popular local. Disponível na Netflix.

  • “Elis & Tom, Só Tinha de Ser com Você” (2023), de Roberto de Oliveira e Jom Tom Azulay

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    Premiado na Mostra Internacional de Cinema de São PauloO longa reúne registros inéditos da célebre e turbulenta dupla, em Los Angeles, durante a produção do álbum que se tornaria uma das maiores referências da música brasileira. Com os nomes Elis Regina e Antônio Carlos Jobim, era certo o sucesso da produção musical, mas vinda de um processo repleto de altos e baixos, que, no fim, alimentou a sinergia do duo. Disponível no Globoplay.

  • “Apocalipse nos Trópicos” (2024), de Petra Costa

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    Premiado no Prêmio Grande Otelo do Cinema BrasileiroNo documentário, o encontro entre política e religião fica em evidência. O longa analisa a influência da crescente fé evangélica na política e na sociedade brasileira, assim como as inevitáveis consequências para a democracia. Os bastidores do poder apresentam preocupações de uma teocracia em um Estado laico, principalmente na polarização atual, com personagens como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia. Disponível na Netflix.

  • “3 Obás de Xangô” (2025), de Sérgio Machado

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    Premiado na Mostra de Cinema de Tiradentes e no Prêmio Grande Otelo do Cinema BrasileiroA amizade bem-vivida entre o escritor Jorge Amado, o músico Dorival Caymmi e o artista plástico Caribé é o foco do filme. A relação do trio, bem como suas obras, teve grandes impactos no imaginário da Bahia e do Brasil, que persiste até hoje e continua influenciando outros artistas. Em seus trabalhos, ainda que mantenham estilos pessoais, vemos pontos em comum nas temáticas do Candomblé, do poder feminino e do mar onipresente. Disponível no Globoplay.

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