Cultura

Cinco clássicos de Benedito Ruy Barbosa

O dramaturgo, que morreu em 7 de julho, ajudou a construir o imaginário do país com histórias profundamente ligadas ao Brasil rural

Ana Elisa Faria 14 de Julho de 2026
Acervo/Globo

Um dos mais importantes dramaturgos do país, Benedito Ruy Barbosa morreu na última terça-feira (7), aos 95 anos, devido a complicações de uma insuficiência renal crônica.

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Nascido na cidade de Gália, no interior paulista, em 1931, era um famoso contador de causos e, durante a carreira, ajudou a construir na televisão a identidade do país com histórias profundamente ligadas ao Brasil rural. Suas novelas, como “Pantanal” e “O Rei do Gado”, marcaram gerações e reverberam até hoje.

A seguir, Gama lista cinco clássicos de Benedito Ruy Barbosa.

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    “Cabocla” (1979)

    Um dos primeiros folhetins do autor, a obra acompanha o romance entre Luís Jerônimo (Fábio Júnior), que deixa o Rio de Janeiro para tratar uma pneumonia na pequena e fictícia Vila da Mata, no Espírito Santo, e a jovem Zuca (Gloria Pires). Como pano de fundo, há a rivalidade política entre Boanerges (Cláudio Corrêa e Castro) e Justino (Gilberto Martinho), dois coronéis da região. Em 2004, a trama ganhou um remake escrito por Edmara e Edilene Barbosa, filhas do dramaturgo.

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    “Pantanal” (1990)

    Marco na história das telenovelas, foi exibida pela TV Manchete e celebrada por ter um tempo próprio e dar protagonismo à paisagem pantaneira por meio de imagens cinematográficas. Na história, José Leôncio (Cláudio Marzo) é um peão que enriquece e se torna um poderoso fazendeiro. Ele vive em conflito com o filho, Jove (Marcos Winter), um rapaz da cidade, que vai morar com o pai e se choca com os costumes locais, além de se apaixonar por Juma Marruá (Cristiana Oliveira), uma moça de espírito selvagem que se transforma em onça. Em 2022, a Globo exibiu o remake da obra, adaptada por Bruno Luperi, neto de Benedito Ruy Barbosa.

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    “Renascer” (1993)

    Ambientada no sul da Bahia, mais especificamente na zona cacaueira de Ilhéus, a trama, dividida em duas fases, apresenta a saga do poderoso fazendeiro José Inocêncio (Antônio Fagundes/Leonardo Vieira) e sua relação conflituosa com o filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), que ele culpa pela morte da esposa, Maria Santa (Patrícia França), que morreu devido a complicações durante o parto. A novela fez sucesso também pelos elementos místicos, como o amuleto do protagonista, um diabo que vivia dentro de uma garrafa, e personagens singulares, como o inocente Tião Galinha (Osmar Prado) e o coronel Belarmino (José Wilker), do bordão: “É justo, é muito justo, é justíssimo”. No ano de 2024, Bruno Luperi desenvolveu o remake de “Renascer”.

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    “O Rei do Gado” (1996-1997)

    Célebre defensor da reforma agrária e dos trabalhadores sem-terra, Benedito Ruy Barbosa retratou suas causas nesta novela, também dividida em duas fases. Na história, a rivalidade entre os Mezenga e os Berdinazi atravessa gerações, ganhando um novo capítulo quando o latifundiário Bruno Mezenga (Antônio Fagundes) se apaixona pela boia-fria Luana (Patrícia Pillar), que desconhece sua ascendência e, portanto, não sabe que pertence à família Berdinazi.

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    “Terra Nostra” (1999-2000)

    O autor retoma nesta obra um tema que abordou em outro trabalho, “Os Imigrantes” (1981-1982), exibido na Band. Na história, iniciada em 1894, dois jovens românticos, Matteo (Thiago Lacerda) e Giuliana (Ana Paula Arósio), se apaixonam perdidamente durante uma viagem de navio da Itália para o Brasil. Mas, ao aportarem no país, eles se perdem de vista e, a partir daí, lutam para se reencontrar e viver esse grande amor. A novela de sotaque italiano popularizou a história da imigração desse povo no final do século XIX.

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